segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ortorexia, você sabe o que é isso?

MOLLY


Escolha alimentos que você ama e que vão amar você"

O americano David L. Katz, diretor do Centro de Pesquisa sobre Prevenção da Faculdade de Medicina da Universidade Yale, fala sobre a obsessão por alimentação saudável. E indica um caminho para enfrentar o problema

A ortorexia foi descrita pela primeira vez pelo médico americano Steven Bratman em 1997. Ela é considerada um distúrbio de comportamento mas ainda não foi classificada como um transtorno psiquiátrico. Qual a sua impressão sobre a ortorexia?

David L. Katz: Qualquer comportamento pode ser levado ao extremo. E, ao extremo, pode se tornar patológico. Uma certa dose de preocupação diante da possibilidade de encontrar estranhos é normal e até saudável. Mas quando é levada ao extremo resulta na agorafobia, por exemplo. Preocupar-se com a qualidade da alimentação é importante -- mas as pessoas não devem exagerar.

REVISTA ÉPOCA: Qual o limite entre preocupação saudável e obsessão?

Katz: Acho que os extremos são determinados pelo contexto. Se você vive entre amigos e ainda assim tem medo de lugares públicos, isso pode ser patológico. Mas se você vive numa zona de guerra, esse mesmo sentimento pode ser normal e até saudável. Diante da péssima qualidade da dieta que a maioria das pessoas consome (e dos danos que essa dieta pode causar sobre a saúde), alguém pode argumentar que a preocupação exagerada com alimentação saudável pode até ser adequada. Fico tentado a evocar Isaac Newton: "Para cada ação, uma reação igual e no sentido contrário".

REVISTA ÉPOCA: O sr. tem encontrado muitas pessoas com sinais de ortorexia?

Katz: Tenho visto muita gente preocupada com alimentação saudável, mas na maior parte dos casos essa preocupação ainda está num nível adequado. Mas já encontrei algumas pessoas que levaram isso longe demais. Mais frequentemente, conheci pessoas com ideias erradas sobre alimentação saudável. Esses mitos é que as colocam numa encrenca. Mas sem dúvida a maioria das pessoas se preocupa menos com dieta saudável do que deveria.

REVISTA ÉPOCA: O que as pessoas perdem na vida quando se submetem a tantas restrições alimentares?

Katz: A comida é o combustível que move o corpo humano. É importante escolher o combustível que garante uma alta performance. Mas comer também é (ou deveria ser) uma fonte de prazer. As pessoas que ficam muito obcecadas com alimentação saudável perdem a chance de ter esses prazeres. As pessoas deveriam ter o objetivo (alcançável) de unir as duas coisas: escolher alimentos que elas amam e que retribuem esse amor ao organismo de quem as consome.

REVISTA ÉPOCA: Muita gente anda tão preocupada em entender quais são os nutrientes "ativos" de cada alimento que se esquece de observar a qualidade da dieta como um todo. As pessoas que têm fixação por nutrientes são mais saudáveis?

Katz: Não. Esse é um perigo real. O que realmente interessa é a qualidade da dieta como um todo (e não a escolha de alimentos que contêm esse ou aquele nutriente). É claro que a dieta é composta de alimentos. Portanto, escolher bons alimentos é um passo importante para conquistar uma dieta que, em seu conjunto, é saudável. Mas até os alimentos individuais deveriam ser encarados holisticamente. Ou seja: é preciso considerar a qualidade nutricional deles em vez de se preocupar em saber se ele tem esse ou aquele nutriente. Na Universidade Yale criamos um sistema para ajudar as pessoas a escolher os alimentos de uma forma inteligente. Ele está disponível no site www.nuval.com. Esse sistema pontua os alimentos de acordo com suas características nutricionais globais, em vez de valorizar nutrientes específicos. Tudo o que o consumidor precisa saber é quais alimentos têm a nota mais elevada. Vários supermercados americanos estão adotando esse sistema (veja uma amostra dele no quiz desta página)

REVISTA ÉPOCA: Esse sistema também pode ajudar a reduzir a obsessão por alimentação saudável?

Katz: Uma das razões da ortorexia é que nos últimos anos os especialistas passaram ao público a impressão de que identificar os alimentos saudáveis é algo muito difícil. O ortoréxico acha que a única forma de fazer escolhas certas é se tornar totalmente obcecado. Nós podemos (e devemos) modificar essa visão. Precisamos facilitar a vida de quem compra comida. Se fizermos isso, a ortorexia vai desaparecer.


Cristiane Segatto
MOLLY

6 comentários:

milton toshiba disse...

Não sabia que essa 'mania' tinha termos técnicos.
Radicalismo sim, é patológico.
Boa semana
Bjs:-)

Silvia Masc disse...

Concordo plenamente com você Milton.
abraços

Wania disse...

Concordo, há pessoas que estão radicalizando, os vegas, confesso que acho super radicais. Gostei da matéria, ótima escolha.
abraços

Ricardo disse...

Gostei daqui, vou te acompanhar pelo Twitter.
abraços

Moacyr disse...

Alegrinha essa Molly, gostei...rs
òtima matéria, exageros realmente são mais nocivos do que ingerir gorduras.

Anny disse...

Silvia:
Não sabia que existia um termo técnico para este fato.
Exagero não é mesmo uma boa pedida. Certo?

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